Somos mudanças para o futuro

Altofalante desde Manaus, Brasil

No início do ano 2024, um convite foi lançado para “compartilhar energias e caminhos de transformação”. Ninguém sabia o que ia passar e nos deixamos surpreender por um espaço pouco comum, com pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo.

Iniciando com sessões virtuais para nos conhecer e começar a intercambiar, o convite incluía um encontro presencial em Manaus no final de abril: a ideia era compartilhar e criar novos olhares para o futuro, através dos olhos da arte.

Nos conectar desde a esperança

Começamos por umas 3-4 sessões virtuais para saber quem somos como pessoas, artistas de transformações em nossos entornos e em maiores escalas.


Nos apresentamos desde o nosso caminho de transformação pessoal, compartilhando símbolos e objetos (artísticos, afetivos, culturais, da natureza). Intercambiamos também sobre as nossas experiências como coletivos e movimentos.


Reafirmamos os nossos engajamentos no mundo que nos rodeia: às vezes nos limita, mas também nos possibilita novas oportunidades… nos obrigando a deixar ir alguns costumes e maneiras de ser… e a acolher novas maneiras de ver, pensar, sentir e habitar. E assim começamos a “sentir junt@s”.

“Temos todxs a mesma luta, 

em campos diversos, mas irmanadas.”

“Romper todas as cercas!

Também as cercas do conhecimento.”

“Como ocupar o espaço público e utilizar o espaço público para ouvir as vozes silenciadas?”

Nos encontramos para criar novos futuros

A seguinte etapa foi em Manaus, onde nos encontramos na Casa da Tartaruga, de 25 a 29 de abril 2024.

Nos reconhecemos, cada um@, em duplas, e depois tod@s junt@s a partir dos nossos corpos e nossas histórias: “De onde vem o meu nome?”. Silêncios e palavras teceram pontes entre as sessões virtuais e o encontro presencial, transitando do rosto na tela ao corpo inteiro, real; dos microfones à voz natural… Somos seres humanos que, desde sua arte de habitar a vida, se encontram na Casa da Tartaruga. Simplicidade, curiosidade e mistério.

Conscientes do mundo de crises no qual estamos, nos perguntamos “Onde sinto bloqueio? e tudo o que me freia?”. Habitar e viver um bloqueio pessoal nos nossos corpos e ser conscientes dos movimentos que nos permitem sair desta situação, é recolher uma aprendizagem desde o futuro.

Com esta experiência pessoal e coletiva de desbloqueio que nos permite estar atentos ao futuro, fomos encontrar a realidade nos bairros de Manaus. Buscamos criar vínculos com as crianças e os jovens que conhecemos nos bairros da Terra Nova e da Compensa, convidando cada um@ a expressar por meio do desenho, “Qual mundo queremos viver?”.

Assim, aprendendo dos jovens e do futuro que encontramos, fomos ajudad@s a (re)descobrir em nós mesm@s as nossas motivações para mudar o mundo e o nosso entorno… e, também, o nosso mundo pessoal.

Com essa escuta generativa, iniciamos uma experimentação coletiva, em um primeiro momento, de modo pessoal. Deixamos as nossas mãos representarem as nossas motivações para a transformação. Depois, contemplando a criação de cada outra pessoa, identificamos novas dimensões das nossas motivações pessoais: deixamos ir elementos e estruturas que já não nos ajudam mais e deixamos vir “nossas” motivações.

 

E assim tecemos as nossas motivações entre tod@s e criamos a nossa aldeia comum, reconhecendo e reafirmando as nossas vontades profundas. Contemplamos nossa aldeia comum cocriada com mente, coração e mãos abertas… o mundo que queremos habitar e que, de certa forma, já existe entre nós.

Seguir em conexão para pensar outros passos

Com essa força coletiva, nos perguntamos: “Que aprendo do futuro desenhado pel@s jovens?”. Decidimos abrir caminhos para realizar novas ações coletivas que nos permitam ser artistas do mundo que queremos viver:

  • aprender junt@s como pensar projetos que nos permitam concretizar nossas motivações de transformação (por exemplo, a partir de editais);
  • desenhar novas maneiras de nos conectar e de aprofundar perspectivas de mudanças (por exemplo, nas nossas comunidades);
  • pensar como motivar pessoas em situação de desespero a reencontrar sentido e vontade de caminhar (por exemplo, com jovens indígenas);
  • preparar um novo encontro, incluindo mais pessoas, para desconstruir as nossas mentes e os nossos esquemas tradicionais de pensar, dando espaço a outras formas para nos fortalecer e implementar experimentações locais e globais.

E assim seguimos com encontros virtuais para ir dando forma e essas ideias

Nos sentimos e nos percebemos como artistas

O caminho realizado e que se concretizou de maneira intensa em Manaus possibilitou:

  • atender a diversidade de cada um@;
  • nos abrir, ⁠lidar, encontrar com o corpo;
  • ver e escutar o desejo d@ outr@;
  • criar um espaço de confiança;
  • nos abraçar sendo diferentes.

Destacamos a importância do tempo, do espaço (a Casa da Tartaruga) e da desconstrução. A importância de cada um@… “Não sou mais o mesmo”, “Vocês ainda estão aqui na casa”, “Senti surpresa, mas não foi uma surpresa de espanto, foi uma surpresa de transformação”, “É um Alto-falante sustentando as pessoas e nos sentimos também um alto-falante sustentado por pessoas.